Ontem, enquanto me dirigia para o carro estacionado propositadamente no dia anterior naquela rua para não perder muito tempo no dia a seguir de manhã, apesar das inúmeras folhas que agora caem e da infindável bosta que os pássaros teimam em mandar para cima dos carros que ali estão, assim que fiz a curva que dá acesso à longa recta da rua principal, deparei-me de imediato com a peida de uma mulher espetada na minha direcção. Não sei se é cena de gajo ou não, mas para mim é inevitável passar uns breves segundos a fantasiar sempre visualizo tal parte anatómica. Devido a isso, apenas uns segundos mais tarde reparei que a mulher ia acompanhada por um miúdo, que não devia ter mais do que quatro anos. Como estava um frio do caraças, acelerei o passo e rapidamente alcancei a mulher, que agora também caminhava no passeio, pejado de despojos, de mão dada com o miúdo. Quando passei por eles, o miúdo perguntava à mulher para onde iam os crescidos todos que ele estava a ver andar, ao que a mulher respondeu: "Para o trabalho".
Recordando-se, por certo, das vezes em que a mulher lhe terá dito que ele já era crescido, provavelmente quando não quer comer tudo, ou está a fazer uma birra, ele ripostou: "Então eu não devia ir também para o trabalho?"
A mulher lá conseguiu inventar uma nova coisa para o convencer que apesar de ele já ser crescido, ele tinha de ir para o infantário na mesma enquanto os outros crescidos tinham o seu trabalho noutros sitios. Apesar da peida da mulher, entrei no carro a pensar que gostava mesmo de voltar a ser um crescido que ia para o infantário...
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